Estrutura
de mensuração de Escopo 3
B38 A
mensuração de emissões de gases de efeito estufa de Escopo 3 da
entidade provavelmente incluirá a utilização de estimativa, em vez
de incluir apenas a mensuração direta. Ao medir emissões de gases
de efeito estufa de Escopo 3, a entidade deverá utilizar uma
abordagem de mensuração, dados e premissas que resultem em uma
representação fidedigna dessa mensuração. A estrutura de
mensuração descrita nos itens B40–B54 fornece orientações a
serem utilizadas pela entidade na preparação de suas divulgações
de emissões de gases de efeito estufa de Escopo 3.
B39 A
entidade deverá utilizar todas as informações razoáveis e
verificáveis disponíveis na data de relatório, sem demasiado custo
ou esforço, ao selecionar a abordagem de mensuração, dados e
premissas que utiliza na mensuração de emissões de gases de efeito
estufa de Escopo 3.
B40 A
mensuração de emissões de gases de efeito estufa de Escopo 3 da
entidade depende de uma série de dados. Esta norma não especifica
os dados que a entidade deverá utilizar para medir suas emissões de
gases de efeito estufa de Escopo 3, mas exige que a entidade priorize
os dados e premissas utilizando as seguintes caraterísticas de
identificação (que não estão listadas em nenhuma ordem
específica):
(a) dados
baseados em mensuração direta (itens B43–B45);
(b) dados
de atividades específicas dentro da cadeia de valor da entidade
(itens B46–B49);
(c) dados
tempestivos que representem fidedignamente a jurisdição e a
tecnologia utilizada para a atividade da cadeia de valor e suas
emissões de gases de efeito estufa (itens B50–B52); e
(d) dados
que tenham sido verificados (itens B53–B54).
B41 A
entidade deverá aplicar a estrutura de mensuração de Escopo 3 para
priorizar dados e premissas mesmo quando for requerida por uma
autoridade jurisdicional ou uma bolsa na qual esteja listada a
utilizar um método diferente do Greenhouse
Gas Protocol:
A
Corporate Accounting and Reporting Standard
(2004) para medir suas emissões de gases de efeito estufa (ver itens
B24–B25) ou se a entidade utilizar a isenção de transição
descrita no item C4(A).
B42 A
priorização pela entidade da abordagem de mensuração, dados e
premissas e das considerações da entidade sobre trade-offs
associados – com base nas caraterísticas descritas no item B40 –
exige que a administração aplique julgamento. Por exemplo, a
entidade pode precisar considerar os trade-offs
entre dados tempestivos e dados que são mais representativos da
jurisdição e tecnologia utilizada para a atividade da cadeia de
valor e suas emissões. Dados mais recentes podem fornecer menos
detalhes sobre a atividade específica, incluindo a tecnologia
utilizada na cadeia de valor e o local dessa atividade. Por outro
lado, dados mais antigos publicados com pouca frequência podem ser
considerados mais representativos da atividade específica e de suas
emissões de gases de efeito estufa.
Dados
baseados em mensuração direta
B43 Dois
métodos são utilizados para quantificar as emissões de gases de
efeito estufa de Escopo 3: mensuração direta e estimativa. Desses
dois métodos – e com todos os demais sendo iguais – a entidade
deverá priorizar a mensuração direta.
B44 “Mensuração
direta” refere-se ao monitoramento direto das emissões de gases de
efeito estufa e, em teoria, fornece as evidências mais precisas. No
entanto, espera-se que os dados de emissões de gases de efeito
estufa de Escopo 3 incluam estimativas devido aos desafios associados
à mensuração direta das emissões de gases de efeito estufa de
Escopo 3.
B45 A
estimativa das emissões de gases de efeito estufa de Escopo 3
envolve cálculos aproximados de dados com base em premissas e dados
apropriados. A entidade que mede suas emissões de gases de efeito
estufa de Escopo 3 por meio de estimativa provavelmente utilizará
dois tipos de dados:
(a) dados
que representem a atividade da entidade que resulta em emissões de
gases de efeito estufa (dados de atividade). Por exemplo, a entidade
pode utilizar distâncias percorridas como dados de atividade para
representar o transporte de mercadorias dentro de sua cadeia de
valor.
(b) fatores
de emissão que convertem dados de atividade em emissões de gases de
efeito estufa. Por exemplo, a entidade converterá a distância
percorrida (dados de atividade) em dados de emissões de gases de
efeito estufa utilizando fatores de emissão.
Dados
de atividades específicas dentro da cadeia de valor da entidade
B46 A
mensuração pela entidade de suas emissões de gases de efeito
estufa de Escopo 3 deverá ser baseada em dados obtidos diretamente
de atividades específicas dentro da cadeia de valor da entidade
(dados primários), dados não obtidos diretamente de atividades
dentro da cadeia de valor da entidade (dados secundários), ou uma
combinação de ambos.
B47 Ao
medir as emissões de gases de efeito estufa de Escopo 3 da entidade,
é mais provável que os dados primários sejam representativos da
atividade da cadeia de valor da entidade e de suas emissões de gases
de efeito estufa do que os dados secundários. Portanto, a entidade
deverá priorizar – com todos os demais sendo iguais – o uso de
dados primários.
B48 Dados
primários referentes as emissões de gases de efeito estufa de
Escopo 3 incluem dados fornecidos por fornecedores ou outras
entidades da cadeia de valor relacionados com atividades específicas
da cadeia de valor da entidade. Por exemplo, dados primários podem
ser obtidos a partir de leituras de medidores, contas de serviços
públicos ou outros métodos que representam atividades específicas
da cadeia de valor da entidade. Dados primários podem ser coletados
internamente (por exemplo, por meio de registros próprios da
entidade) ou externamente de fornecedores e outros parceiros da
cadeia de valor (por exemplo, fatores de emissão específicos do
fornecedor para bens ou serviços adquiridos). Dados de atividades
específicas dentro da cadeia de valor da entidade fornecem uma
representação mais precisa das atividades específicas da cadeia de
valor da entidade e, portanto, fornecerão uma melhor base para medir
as emissões de gases de efeito estufa de Escopo 3 da entidade.
B49 Dados
secundários referentes a emissões de gases de efeito estufa de
Escopo 3 são dados que não são obtidos diretamente de atividades
específicas dentro da cadeia de valor da entidade. Dados secundários
são geralmente fornecidos por outros fornecedores de dados e incluem
dados médios do setor (por exemplo, a partir de bases de dados
publicadas, estatísticas governamentais, estudos de literatura e
associações do setor). Dados secundários incluem dados utilizados
para aproximar os fatores de atividade ou de emissão. Além disso,
dados secundários incluem dados primários de uma atividade
específica (dados proxy) utilizados para estimar as emissões de
gases de efeito estufa de outra atividade. Se a entidade utilizar
dados secundários para medir suas emissões de gases de efeito
estufa de Escopo 3, ela deverá considerar em que medida os dados
representam fidedignamente as atividades da entidade.
Dados
tempestivos que representam fidedignamente a jurisdição e a
tecnologia utilizada para a atividade da cadeia de valor e suas
emissões de gases de efeito estufa
B50 Se
a entidade utilizar dados secundários, ela deverá priorizar o uso
de dados de atividade ou de emissões que se baseiem ou representem a
tecnologia utilizada na atividade da cadeia de valor que os dados
pretendem representar. Por exemplo, a entidade pode obter dados
primários de suas atividades (por exemplo, o modelo específico da
aeronave, a distância percorrida e a classe de viagem utilizada
pelos funcionários durante a viagem) e então utilizar dados
secundários que representem as emissões de gases de efeito estufa
decorrentes dessas atividades para converter os dados primários em
uma estimativa de suas emissões de gases de efeito estufa
provenientes das viagens aéreas.
B51 Se
a entidade utilizar dados secundários, ela deverá priorizar dados
de atividade ou de emissões que se baseiem ou representem a
jurisdição em que a atividade ocorreu. Por exemplo, a entidade
deverá priorizar os fatores de emissão relacionados à jurisdição
em que a entidade opera ou em que a atividade tenha ocorrido.
B52 Se
a entidade utilizar dados secundários, ela deverá priorizar dados
de atividade ou de emissões que sejam tempestivos e representativos
da atividade da cadeia de valor da entidade durante o exercício de
relatório. Em algumas jurisdições, e para algumas tecnologias,
dados secundários são coletados anualmente e, portanto, os dados
provavelmente serão representativos da prática atual da entidade.
No entanto, algumas fontes de dados secundários dependem de
informações coletadas em um exercício de relatório diferente do
exercício de relatório da própria entidade.
Dados
verificados
B53 A
entidade deverá priorizar os dados verificados de emissões de gases
de efeito estufa de Escopo 3. A verificação pode fornecer aos
usuários de relatórios financeiros para fins gerais a confiança de
que as informações são completas, neutras e precisas.
B54 Dados
verificados podem incluir dados que foram verificados interna ou
externamente. A verificação pode ocorrer de várias maneiras,
incluindo verificação no local, revisão de cálculos ou
verificação cruzada de dados com outras fontes. No entanto, em
alguns casos, a entidade pode não conseguir verificar suas emissões
de gases de efeito estufa de Escopo 3 sem demasiado custo ou esforço.
Por exemplo, a entidade pode ser impedida de obter um conjunto
completo de dados verificados devido ao volume de dados ou porque os
dados são obtidos de entidades da cadeia de valor separadas por
muitos níveis da entidade que reporta, ou seja, entidades com as
quais a entidade que reporta não interage diretamente. Nesses casos,
a entidade pode precisar utilizar dados não verificados.
Divulgação
de dados para as emissões de gases de efeito estufa de Escopo 3
B55 A
entidade deverá divulgar informações sobre a abordagem de
mensuração, dados e premissas que utiliza para medir as emissões
de gases de efeito estufa de Escopo 3, em conformidade com o item
29(a)(iii). Essa divulgação deverá incluir informações sobre as
caraterísticas dos dados introduzidos, conforme descrito no item
B40. O objetivo dessa divulgação é fornecer aos usuários de
relatórios financeiros para fins gerais informações sobre como a
entidade priorizou os dados da mais alta qualidade disponíveis, que
representam fidedignamente a atividade da cadeia de valor e suas
emissões de gases de efeito estufa de Escopo 3. Essa divulgação
também ajuda os usuários de relatórios financeiros para fins
gerais a entender por que razão a abordagem de mensuração, dados e
premissas que a entidade utiliza para estimar suas emissões de gases
de efeito estufa de Escopo 3 são relevantes.
B56 Como
parte do requisito previsto no item 29(a)(iii), e para refletir como
a entidade prioriza os dados do Escopo 3 de acordo com a estrutura de
mensuração estabelecida nos itens B40–B54, a entidade deverá
divulgar informações que permitam aos usuários de relatórios
financeiros para fins gerais entender:
(a) até
que ponto as emissões de gases de efeito estufa de Escopo 3 da
entidade são medidas utilizando dados de atividades específicas
dentro da cadeia de valor da entidade; e
(b) até
que ponto as emissões de gases de efeito estufa de Escopo 3 da
entidade são medidas utilizando dados verificados.
B57 Esta
norma inclui o pressuposto de que as emissões de gases de efeito
estufa de Escopo 3 podem ser estimadas de forma confiável utilizando
dados secundários e médias do setor. Nos raros casos em que a
entidade determina como sendo impraticável
estimar suas emissões de gases de efeito estufa de Escopo 3, ela
deverá divulgar a forma como está gerenciando suas emissões de
gases de efeito estufa de Escopo 3. A aplicação de um requisito é
impraticável quando a entidade não puder aplicá-lo depois de
empreender todos os esforços razoáveis para tanto.